sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Eu não disse que eu te queria
Eu não podia...
Eu me calei,
Eu não podia...

domingo, 14 de setembro de 2008

FUGAZ

Estava realmente precisando retomar a escrita neste blog. 
Ando meio desligada porque ando, ultimamente, com a cabeça nas nuvens, pensando bobagens, ouvindo besteiras, comendo, comendo... E escrever é como tocar violão: um dia sem tocar corresponde a 1 semana sem tocar. Um dia sem escrever, corresponde a 1 semana sem escrever... Você perde um pouco o traquejo, a palavra não sai limpinha, suave... 
E ai eu venho e digo: PRECISO ESCREVER E VOU FAZÊ-LO. 
Mas sobre o quê?
Falar sobre o meu cotidiano é muito pobre, porque não tem graça falar sobre o nada, ainda mais não tendo tanta eloqüência e nem retórica... Tampouco assunto.
Acho que poderia falar sobre alguém.
Alguém especial, que não sei porque está me preenchendo.
Alguém interessante, que quando falo pelo telefone, nunca reconhece minha voz...
Alguém que sempre me acorda com um BOM DIA, PRINCESA... Alguém que eu chamo de PRÍNCIPE...
Sabe essas coisas inexplicáveis que só Freud explica?
Tá rolando...
Tô enrolando...rs
A prince, a dream...
Engraçado que falar disso é tão fácil... Mais engraçado ainda é o fato de ter certeza que tudo isso tem prazo de validade... Que sina... Que destino... 
Penso que antes viver esse(...)... Do que passar a vida sem saber o que é isso... 
Embora eu saiba que quando acabar eu vou pensar: POR QUE EU ATENTEI CONTRA MEU CORAÇÃO? POR QUE EU ME ENVOLVO TÃO BESTAMENTE?
Mas eu não vou pensar nisso agora. Vou esperar o desespero e a solidão chegarem de novo... Não vou dar esse ibope pra dor...

Ai que sentimental... Onde está o racionalismo, o cientificismo, a técnica, a precisão??? Para a PQP com tudo isso! Eu nunca fui racional, científica, técnica nem precisa... Eu gosto e aprecio e me envolvo e me descabelo com qualquer amor besta e fugaz... E eu quero vivê-lo em cada vão momento... Mesmo que ele nunca aconteça, a não ser na minha imaginação... Meu reino por essa sensação angustiante...rs Eu pagaria qualquer dinheiro por uma paixão que me fizesse flutuar como agora...
Fica a letra do Toquinho... Que sempre resolve e explica, como ninguém, meu coração...

"E eu que andava nessa escuridão
De repente foi me acontecer
Me roubou o sono a e solidão
Me mostrou o que eu temia ver
Sem pedir licença nem perdão
Veio louca pra me enlouquecer

Vou dormir querendo despertar
Pra depois de novo conviver
Com essa luz que veio me habitar
Com esse fogo que me faz arder...

Me dá medo e vem me encorajar
FATALMENTE ME FARÁ SOFRER

Ando escravo da alegria
Hoje em dia, minha gente
Isso não é normal
Se o amor é fantasia
Eu me encontro ultimamente
Em pleno carnaval"

(Toquinho - Escravo da Alegria)

Obs.: Eu sinto... Ele compõe... Impressionante!!!rs

domingo, 22 de junho de 2008

FERNANDO PESSOA

"Isto me mexeu." (Marília de Paula)

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer.

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

VIVA O QUE É BOM!

Não importa de onde veio. O importante é que faz sentido.

Os que não se perguntam se alguém estará esperando
Se será verdade
Ou se será mentira...
Os que não se perguntam se alguém vai escutar
Se estarão perdendo tempo...
Os que não se perguntam se irão ganhar
Se haverá alívio
Se faltará muito...
Os que não se perguntam se o dia será bom
São os mesmos que também não se perguntam

se o copo está meio vazio
Porque para eles

o copo está sempre meio cheio.

Viva o que é bom.

sábado, 26 de abril de 2008

Eu admiro o que não presta
Eu escravizo quem eu gosto
Eu não entendo
Eu trago o lixo para dentro
Eu abro a porta para estranhos
Eu cumprimento
Eu quero aquilo que não tenho
Eu tenho tanto a fazer
Eu faço tudo pela metade
Eu não percebo
Eu falo muito palavrão
Eu falo muito mal
Eu falo muito
Eu falo mesmo
Eu falo sem saber o que estou falando
Eu falo muito bem
Eu minto

sábado, 29 de março de 2008

MUDAR (Clarice Lispector)

Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,calmamente,
observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,
ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro ladoda cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura. Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete, outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros, visite novos museus.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver:

a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!!!!
Clarice Lispector

segunda-feira, 17 de março de 2008

Primeiro, eles vêm à noite,
com passo furtivo
arrancam uma flor
e não dizemos nada.
No dia seguinte, já não tomam precauções:
entram no nosso jardim,
pisam nossas flores,
matam nosso cães e não dizemos nada.
Até que um dia o mais débil dentre eles
entra sozinho em nossa casa,
rouba nossa luz,ar
ranca a voz de nossa garganta
e já não podemos dizer nada.

Maiakóviski

Precisa explicar?